Um dos desafios que nos foi proposto ao longo deste processo foi a montagem na parede.
O desafio intitulado "Preparar é filmar. Filmar é exibir" consiste em que cada grupo elabore cartões que resumem as cenas do seu guião cinematográfico, os quais serão colados na parede, criando um mapa visual que proporciona uma visualização clara da narrativa e da estrutura do filme. Estes cartões não se limitam a descrever os eventos de cada cena; podem também incluir questões narrativas essenciais, como o desenvolvimento dos personagens, os conflitos centrais e a mensagem que se pretende transmitir em cada momento. A montagem na parede funcionará como um espaço colaborativo, facilitando a discussão entre os membros do grupo e permitindo uma análise mais clara das dúvidas ou intenções estéticas e narrativas que ainda precisam de resolução. Este exercício não só estimula a criatividade e a organização, mas também prepara os alunos para os desafios da produção cinematográfica, reforçando a ideia de que uma preparação meticulosa é fundamental para o sucesso na filmagem e na exibição das suas obras.
Este exercício acabou por ser muito importante para a equipa, porque nos ajudou a perceber que a história, da forma como estava, não estava realmente a comunicar com toda a gente do grupo. Havia uma certa distância entre aquilo que a curta era naquele momento e aquilo que as pessoas imaginavam ou sentiam que ela podia vir a ser.
Muito disso aconteceu porque, no primeiro semestre, o processo de escrita foi desenvolvido de forma bastante mais fechada, sobretudo entre dois ou três elementos da equipa de argumento. Quando chegámos ao segundo semestre, começaram a surgir várias perguntas para as quais ainda não existiam respostas claras. Havia cenas que não faziam muito sentido, outras que pareciam banais, e alguns temas que percebemos que não eram assim tão importantes para o centro da história.
Depois da montagem na parede e do feedback dos professores, houve um grande momento de questionamento dentro do grupo. Durante cerca de uma semana, sentimos que tínhamos voltado vários passos atrás. Recomeçou a pesquisa, as discussões, a indecisão e as dúvidas. Mas, no meio desse caos, acabámos por chegar a um consenso sobre aquilo que o filme realmente era. Este exercício obrigou-nos a olhar para o projeto com mais distância e honestidade. Percebemos que talvez fosse necessário afastarmo-nos um pouco da história para depois voltar a ela com um olhar novo: mais experimental, mais autêntico e mais próximo do verdadeiro potencial da curta.
Durante esse processo, discutiram-se muitas ideias diferentes, algumas completamente afastadas daquilo que o filme acabou por ser. Nem tudo fez sentido, e muita coisa ficou pelo caminho, mas isso também foi essencial para percebermos melhor o que queríamos realmente contar. Aos poucos, fomos regressando à história inicial, mas agora com uma visão mais clara, mais precisa e mais concentrada.